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Jamaica Caribe
Águas de um azul transparente, praias exclusivas,
resorts com sistema all-inclusive (tudo incluído), reggae à beira-mar. A
Jamaica tem todos os ingredientes de uma ilha do Caribe perfeita para
relaxar, e mais um: por trás deste mundo de mordomia existe um outro com
fortes contrastes sociais e de beleza pouco conhecida pela maioria dos
turistas.
Quem quiser explorá-lo deve pular o muro dos resorts.
Nada contra eles. Pelo contrário: são o máximo nos quesitos conforto e
lazer. Mas há muito mais para descobrir lá fora. Vença a preguiça, o
luxo e ponha o pé na estrada rumo a lugares como Port Antonio, o paraíso
que seduz astros de Hollywood do naípe de Tom Cruise e Brooke Shields, e
Treasure Beach, um santuário de praias desertas e pousadas aconchegantes.
Ou, ainda, tome o caminho das montanhas repletas de
rios, cachoeiras e trilhas na mata. Nestes pontos, onde o turismo de massa
não chegou, é possível conhecer os hábitos do povo e a complexa
cultura deste país.
Perto do sol - Ao contrário da agitação que domina
os grandes centros jamaicanos como Kingston, Ocho Rios e Montego Bay, nos
vilarejos do interior e do litoral o ritmo é sossegado e as paisagens
são ainda mais belas. Para chegar a eles, é preciso dirigir.
Terceira maior ilha do Caribe, a Jamaica mede 250
quilômetros de leste a oeste e 80 km no trecho mais extenso, de norte a
sul. Pode parecer pouco, mas o seu miolo é inteiro montanhoso e as
estradas esburacadas e perigosas tornam tudo mais demorado. As viagens
são cansativas, mas há sempre a recompensa de chegar a pontos
autênticos.
Em Treasure Beach, por exemplo, todas as manhãs é
possível ver os pescadores consertando redes e rolando suas toscas canoas
para a água. A conversa gira em torno da pesca, das condições do mar e
da lua. Na vila erguida em torno da praia de areia branca bordada de
coqueiros balançando ao vento, a natureza é quem dá o tom. Seus
moradores preservam com carinho a sombra das árvores construindo suas
casas em harmonia com a paisagem. Feitas de madeira e muito coloridas,
elas são o charme do lugar.
É lá que fica a Pousada Jake´s, considerada uma das
melhores do mundo com diárias abaixo de US$ 100 pelo guia Lonely Planet,
que soube aliar a beleza da costa ao bom gosto arquitetônico. Os quartos
são rústicos e simples, mas muito confortáveis. E o melhor: basta abrir
a janela para encontrar o mar batendo contra as rochas.
De lá sai um barco que passa ao longo de 20
quilômetros de litoral antes de penetrar nas águas do maior rio do
país: Black River. O rio começa escuro e largo, sempre ladeado por uma
vegetação pantanosa, onde vivem crocodilos e várias espécies de
pássaros. Mais para dentro, vai ficando estreito, suas águas se tornam
transparentes e quentes, verdadeiros aquários naturais.
Beleza hollywoodiana - Outra região que surpreende
pela beleza fica na Baía de Port Antonio, no noroeste da ilha. O lugar
ficou mundialmente famoso como um dos cenários onde foi rodado A Lagoa
Azul, filme que consagrou Brooke Shields na década de 80. É também onde
foram filmadas cenas de Coquetel, com Tom Cruise.
As águas do mar que banham esta parte da costa oscilam
entre o azul-turquesa e um marinho profundo e escondem tesouros submarinos
em seus bancos de corais. Um paraíso que, não por acaso, atrai
milionários e famosos como o próprio Tom Cruise, além de Uma Thurman e
Sean Connery. Para dar abrigo a eles, o que não falta são belas mansões
e até castelos erguidos praticamente em cima do oceano.
Port Antonio virou refúgio de celebridades a partir de
1946, quando ali aportou o iate do ator americano Errol Flynn, fugindo de
uma tempestade.
Flynn apaixonou-se pela região, pelo balanço tropical
de seu povo e resolveu ficar. Construiu uma mansão no topo da montanha e
de lá, com vista panorâmica do oceano, comandava festas de arromba. Mais
tarde, em sua autobiografia, descreveria a costa de Port Antonio como
"mais bela que qualquer mulher que eu já vi".
Ainda hoje, estas praias pequenas, cercadas de
arrecifes, seduzem. Ali, a população local é receptiva e sorridente.
Basta um pouco de conversa para vencer a desconfiança inicial e se
entrosar. O jamaicano adora o mar, e essa relação de amor começa do
berço. A menina Kate Moon, com uma bóia no pescoço, ficou horas rolando
pela areia da praia na companhia de seus primos. A seu lado, sua avó, de
touca de plástico nos cabelos e óculos de fundo de garrafa, brincava com
as amigas da mesma idade, com a água pela cintura. Nos bares, os amigos
se divertiam entre goles de rum, a bebida nacional.
A cidadezinha portuária, aliás, merece a visita.
Construções antigas, da época colonial, ainda guardam lembranças da
passagem espanhola e dos tempos de mais riqueza, quando a região era a
maior exportadora de bananas do país.
Na feira livre, entre frutas como a ackee, que é
assada com peixe no prato mais típico da Jamaica, vende-se de tudo.
Prepare para os preços altos, em dólar. O que mais chama a atenção é
o artesanato, pautado na influência africana. São peças esculpidas em
madeira com desenhos de animais como o elefante e a girafa, que nunca
existiram na ilha.
O lugar mais badalado do momento no país é Negril.
Antigo refúgio dos hippies americanos, hoje a região cresce a passos
largos. É o retrato fiel da propaganda positiva que a Jamaica quer passar
para o mundo, como a ilha do sol, da música e do "No problem, relax,
você está na Jamaica."
Bares e danceterias - Para receber os turistas foram
construídos dezenas de resorts, bares e boates, que estão espalhados por
praias paradisíacas, cercadas de costões rochosos e famosas por abrigar
o pôr-do-sol mais bonito de todo o Caribe.
Mas o melhor de Negril é sem dúvida a sua noite,
quando o reggae invade a madrugada tocando alto nas discotecas, seja em
shows ao vivo ou em possantes caixas de som. Basta escolher o clima da
casa. Algumas optam por um ambiente romântico, à luz de velas, e tocam o
"reggae-roots", feito para dançar agarradinho. Outras colocam
toda a modernidade das luzes estroboscópicas e néons a serviço da
batida dance.
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