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Havana Cuba
A chegada a Havana permite vislumbrar uma paisagem
incomum. Nada de carros ou prédios antigos e nem o som de salsa nas ruas.
O primeiro contato visual é totalmente libre e silencioso. Leques do mar,
sensitivas e gorgônias balançam suavemente num ambiente azulado,
enquanto corais-de-fogo alternam cores quando tocados pela luz solar. O
turista flutua, então, sob elevações rochosas e encara criaturas
multicoloridas de diversos tamanhos, a ilha de Fidel Castro vive hoje um
momento de abertura ao completar 40 anos da revolução comunista. Não
há alucinação nessa cena. Trata-se apenas de um dos caminhos mais
sublimes para se conhecer a maior ilha do Caribe: Cuba.
Dona de um dos últimos regimes socialistas do mundo
– o ditador tomou o poder em 1959. É o turismo que se firma como o
carro-chefe de sua economia, apesar da pobre infra-estrutura hoteleira. De
todos os filões da indústria turística cubana, o turismo submarino se
destaca como um dos principais. Tudo isso por conta de um paraíso
submerso no porto da capital – e uma visibilidade submersa que pode
ultrapassar os 40 metros. que atrai mergulhadores do mundo todo.
Banhada na costa norte pelo Mar do Estreito da Flórida
e na costa sul pelo incomparável Mar do Caribe, Cuba é um universo
submarino onde a cada ano descobre-se um novo ponto fantástico de
imersão. Até os menos experientes em mergulho autônomo vão encontrar
áreas de descida de 5 a 15 metros que permitem integrar-se ao reino de
Netuno. Para quem nunca mergulhou, é bom fazer um curso com calma no
Brasil. Os instrutores cubanos oferecem cursos rápidos, o que não é
muito recomendável, além de gastar tempo em uma viagem fascinante.
Em seus 110.922 quilômetros quadrados de extensão, o
arquipélago cubano tem costas irregulares, de 5.746 km, que abrigam mais
de 200 baías e cerca de 289 praias. Oficialmente, a ilha se divide em 16
zonas de mergulho: Maria La Gorda, Colony (Ilha da Juventude), Cayo Largo,
Playa Larga, Cienfuegos, Trinidad, Jardins La Reina, Marea del Portillo,
Santiago de Cuba, Guardalavaca, Santa Lucia, Jardins del Rey, Varadero,
Havana e Cayo Levisa.
As imersões se realizam entre 5 e 40 metros de
profundidade em que se exploram cavernas, paredões, arrecifes coralinos e
naufrágios. Os centros de mergulho são bem estruturados, com padrão
internacional. É uma prova de que o turismo de mergulho é levado a
sério em um dos últimos países comunistas do globo.
Um bom lugar para o primeiro contato com flora e fauna
marinhas é na costa de Havana que, apesar do risco de enfrentar um mar
castigado por ventos, não economiza em vida e cenários naturais. Na
marina de Tarará, o centro Caribbean Diving (tel. 00537/971313) leva os
mergulhadores a 28 áreas de imersão. E não é preciso fazer longos
percursos de barco. A apenas um quilômetro da costa, obtem-se uma boa
visibilidade, que varia de 15 a 19 metros.
O instrutor cubano Alexandro Sanchez explica que a
formação geográfica da região de Tarará é incomum, pois a ação do
rio possibilitou a formação de dois paredões paralelos de corais que se
estendem por 24 quilômetros. O fundo arenoso é habitado por peixes
coralinos e de maior tamanho, como os aguajíes (peixes locais), pargos e
barracudas. Corais, gorgônias e leques do mar completam o cenário
submarino.
Além de Tarará, a costa de Havana tem muito a
oferecer ao amante do fundo do mar, em profundidades que vão de 5 a 35
metros, onde existem terraços cobertos por corais, gorgônias, esponjas e
pequenos peixes. Só para citar alguns pontos, Canto de Viriato, Cabezo de
los Tartugos, Canal de Viera, Sanchéz Barástegui, Outeiro Rachado e La
Chalupa.
A oeste de Havana, no trecho entre Baracoa e a Baía de
Havana, há cerca de dez pontos de imersão, onde a plataforma insular cai
até um abismo submarino. Os barcos afundados parecem brotar em bancos de
areia e arrecifes.
O Comodoro é um deles, que pode ser explorado a 24
metros de profundidade. O barco pesqueiro foi afundado intencionalmente e
convertido em arrecife artificial. Seu interior é refúgio de peixes de
diferentes tamanhos e em suas paredes, esponjas esverdeadas fazem a
decoração.
Conhece o ditado que diz "as aparências
enganam"? Pois ele se aplica perfeitamente à capital cubana. Por
trás dos casarões antigos com paredes descascando e de colorido
desbotado escondem-se belas e curiosas surpresas. A começar pelo seu
povo, alegre e hospitaleiro como os brasileiros.
Aliás, verdade seja dita, semelhanças não faltam
entre nós e os cubanos. Basta colocar os pés em Havana para senti-las.
Há até quem diga que a cidade é um Pelourinho em piores condições.
Mas não é só pelo calor e pela simpatia da população que somos "hermanos".
Em Cuba, o ritmo está no sangue. Não vem do samba,
mas da salsa, do mambo, do bolero. O gingado é semelhante, herança da
influência negra. A mesma que presenteou cubanas e brasileiras com
sensuais quadris largos, que elas sabem muito bem exibir. Na culinária, o
arroz com feijão é prato típico daquelas bandas, disfarçado em nomes
como moros y cristianos ou congrí. E até os orixás são cultuados. Lá,
o nosso candomblé se chama santería.
Num primeiro contato com os habitantes da maior ilha do
Caribe percebem-se também as marcas do embargo econômico e político dos
Estados Unidos, vigente desde 1962. "One dólar, un dólar."
Ninguém sai ileso de escutar a frase. Para conhecer Havana, tenha em
mãos trocados da moeda. Paga-se esse preço por charutos clandestinos
vendidos nas ruas, por uma foto em que, mesmo sem querer, um cubano
aparece. Mas nunca por esmola.
Uma ilha, dois mundos - Na cidade onde mora Fidel
Castro, dois mundos sobrevivem: o dos visitantes, capitalista - com tevê
a cabo, Internet e dólares - e o de seus 2,4 milhões de habitantes, que
assistem a dois canais estatais, usam o telefone do vizinho, compram com
pesos cubanos, mas fazem de tudo para conseguir valiosas notas de dólar.
Pensa que alguém reclama? Não. Quando questionados sobre como anda a
situação em um dos três únicos países do mundo que mantêm o regime
comunista (os outros são Coréia do Norte e China), muitos respondem,
orgulhosos: "A educação e a saúde são gratuitas e de excelente
qualidade."
O turismo também vai bem. É a maior fonte de renda do
país. Brasileiros, porém, ainda são poucos. Dos 1,8 milhão de
visitantes que Cuba recebeu no ano passado, apenas 9,5 mil eram
brasileiros. De acordo com o diretor do Escritório de Turismo de Cuba no
Brasil, Roberto López Rodríguez, a ilha quer receber mais turistas do
país do futebol e das novelas de que eles tanto gostam.
Ao que tudo indica, os laços de amizade só tendem a
ficar mais fortes. E não será por meios políticos. Corre o boato que
Compay Segundo e o Buena Vista Social Club estão prestes a aceitar um
convite de vir ao Brasil. Por aqui, um sugestivo título na provável
novela das sete da Globo, cuja história se passa numa ilha nos anos 50,
mas que, segundo a emissora, não tem relação direta com o país de
Fidel. Cubanakan pode aguçar a curiosidade dos brasileiros de conhecer
seus queridos "compañeros".
A capital cubana esbanja o clima dos anos 50: bares e
cabarés antigos, restaurantes típicos, construções coloniais, museus e
casas de tabaco
Obviamente em Cuba há um abismo social entre o mundo
do turismo – com hotéis de primeira categoria – e o cotidiano do
povo, para quem o recebimento mensal é inconstante. Mas nem por essas
dificuldades, o cubano deixa de sair à noite para cantar e dançar. E o
turista e seus dólares são bem-vindos.
Ao chegar em Havana, reserve pelo menos dois dias para
percorrer a capital cubana. A cidade é o passado em movimento, onde a
década de 50 é o maior ponto de referência.
O Malecón, a avenida beira-mar, é o local de encontro
de cubanos e turistas, onde os casarões em ruínas (literalmente) se
misturam com a bela arquitetura de hotéis luxuosos do passado – em
destaque, o imponente Nacional – e de novos estabelecimentos (Meliá
Cohiba, por exemplo).
O clima nostálgico é bem representado por carros dos
anos 50, conservados e em funcionamento, além de bares e cabarés com a
mesma aura da época de ouro da música cubana. Habana Vieja, o centro
histórico que ocupa uma área de 4 mil quilômetros quadrados, é um dos
lugares em constante restauração e é, sem dúvida, a mais bela
atração da capital. O tour se define principalmente por dois caminhos:
construções da época colonial e os lugares onde vivia e se divertia um
dos mais ilustres moradores da ilha, o escritor americano Ernest Hemingway.
Entre os pontos obrigatórios a serem visitados, vale a
pena conhecer o Palácio dos Capitães Gerais, na Praça de Armas, o
Castelo da Real Força, e a belíssima Praça da Catedral, onde se destaca
a construção religiosa do século 16 (visitada em janeiro pelo papa
João Paulo II), o Palácio do Conde Lombillo e o interessante Restaurante
El Pátio – que funciona há 33 anos na antiga casa do marquês de
Águas Claras. Um programa indispensável é visitar os bares antigamente
freqüentados por Hemingway.
Como a máxima de Hemingway “mi mojito en la
Bodeguita y mi daiquiri en la Floridita”, siga direto para a Rua
Empedrados até a Bodeguita Del Médio para provar a caipirinha dos
cubanos, o mojito, a US$ 4 o copo: mistura rum, limão, água com gás,
açúcar, hortelã e gelo. Já na Rua Obispo, o belo Restaurante Floridita
ainda cumpre o ritual de servir comida boa (e cara) e oferecer o delicioso
daiquiri (a US$ 6).
Aproveite a ida à Habana Vieja e visite também a Casa
do Tabaco, onde se pode comprar charutos legalizados a bons preços. Evite
o mercado informal porque corre-se o risco de ter muita dor de cabeça no
aeroporto por causa de uma caixa de charutos contrabandeada.
Ainda no roteiro etílico, prove as bebidas
envelhecidas da Casa do Rum, na Rua Obispo Conbernaza. Complete a visita
histórica visitando o Museu da Revolução de 1959 (US$ 3 a entrada), que
expõe fotos, armas, equipamentos e até roupas ensangüentadas dos
heróis de Cuba.
Reserve também uma noite para a cerimônia do
Canhonazo, no Castillo de los Tres Reyes del Morro, em Morro Cabañas. Na
época da pirataria, uma grande armação de madeira fechava a baía às
21h, ao som do disparo de canhão, evitando ataques surpresa. Hoje,
soldados com roupas da época da colonização espanhola repetem o ritual,
concorridíssimo por turistas – US$ 3 a entrada.
A noite tem muita música cubana, mas é necessário
ser criterioso. O famoso Cabaré Tropicana é um show “para turista ver”,
e é mais caro do que realmente tem a oferecer – de US$ 50 a US$ 60.
No Restaurante La Cecilia, há uma opção interessante
a cada semana: após o show típico (de US$ 10 a US$ 20 por pessoa),
grupos de salsa, mambo, merengue e rumba agitam a platéia, que invade o
palco para a dança.
Outro lugar divertido é o Habana Café, no Hotel
Meliá Cohiba, próximo ao Vedado Malecón, onde vários grupos se
apresentam e a decoração lembra o Hard Rock Café, com um carro na
pista, um avião antigo pendurado no teto, e fotos de grandes artistas. A
consumação mínima é de US$ 5.
Para comer, prefira os “paladares” aos restaurantes
do governo. O nome é uma homenagem à novela brasileira em que a atriz
Regina Duarte, de vendedora de sanduíches na praia, torna-se empresária
e abre um restaurante chamado Paladar.
O governo permite a exploração privada mas, para
evitar concorrência com o setor público, limita para quatro o número de
mesas de cada “paladar”. A comida é bem mais barata (de US$ 7 a US$
12 por refeição) e mais farta.
Mais afastada da cidade, encontra-se a bela Marina
Hemingway, onde o escritor americano saía para pescar e inspirou-se para
produzir vários livros (entre eles, O Velho e o Mar).
Saindo da capital cubana, há muito mais para ver. A
excursão a Piñar del Rio, por exemplo, permite a visita a uma fábrica
de charutos (uma das unidades da renomada marca Monte Cristo) e ao Mural
da Pré-História, uma gigantesca pintura da década de 60.
No extremo oposto da ilha, a mais caribenha das
cidades, Santiago de Cuba, oferece um grande acervo histórico, como o
maior museu da pirataria. Com certeza, uma semana é pouco em terras
cubanas.
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