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Jaisalmer Índia
Com uma atmosfera medieval e romântica, a cidade está
localizada dentro de uma das mais espetaculares fortalezas de toda a
Índia. Lá dentro, há uma infinidade de palácios, casas e templos,
todos construídos com pedras amarelas, resultando num belo contraste com
o azul do céu. O efeito dessa monocromia, acentuada pela luz dourada do
entardecer no deserto, rendeu à pequena Jaisalmer o título de Cidade
Dourada.
O Forte de Jaisalmer foi construído em 1156, por Rawal
Jaisal, e pouca coisa parece ter mudado desde então. No interior, os
transportes de carga são feitos com carroças puxadas por camelos, as
pessoas circulam em trajes típicos e habitam construções antigas. Um
quarto da população reside do lado de dentro das muralhas, onde também
há vários templos, palácios e até hotéis. As torres do forte oferecem
vistas panorâmicas da cidade e do deserto.
Um complexo de templos jainistas construídos entre os
séculos 12 e 15 situa-se no centro da fortaleza. As paredes são
delicadamente entalhadas e apresentam uma arte frágil e sagrada. Os
templos, como todos na Índia, devem ser visitados com os pés descalços.
Séculos atrás, no auge da atividade comercial com a
Ásia central, Jaisalmer foi rica e poderosa. A cidade foi construída em
cima de um oásis, ponto de passagem obrigatório na rota das caravanas de
camelos. Essa posição estratégica garantiu a sua fortuna até a
construção do porto de Bombaim. Hoje, a glamourosa terra dos marajás
tem 40 mil habitantes e vive do turismo e das atividades militares na
fronteira com o Paquistão.
Por causa dos tempos áureos, Jaisalmer é cheia de
havelis, casas suntuosas construídas pelos comerciantes e marajás nos
séculos 17 e 18. Suas detalhadas construções em arenito estão bastante
conservadas e os atuais moradores não cobram nada pela visitação. No
entanto, eles esperam vender algum artesanato. Não se intimide, tudo é
barato e há belas peças para escolher.
Alguns havelis foram transformados em hotéis e se
hospedar neles é uma das mais preciosas recordações que se pode levar
de Jaisalmer. Outras lembranças inesquecíveis são a visita ao forte e o
safári de camelo.
Os havelis transformados têm, geralmente, poucos
quartos disponíveis, uma vez que somente as suítes de luxo da casa são
oferecidas aos turistas. "A decoração do meu quarto tinha peles de
tigre, tapeçaria do Rajastão, estatuetas e fotos antigas de caçadas
feitas por nobres. Além do banheiro reformado e a cama nova, tudo era
muito antigo e suntuoso", conta o turista inglês Greg Binfield, que
se hospedou no Hotel Nachana Haveli e pagava US$ 6 pela diária de seu
quarto, na baixa temporada. O Nachana Haveli é administrado pela família
descendente do marajá que o construiu. Todos ocupam uma posição social
nobre na cidade e tratam os hóspedes como convidados da família.
Outro passeio imperdível em Jaisalmer é caminhar pelo
mercado popular, localizado na parte externa do forte. Além de alimentos,
artesanato e animais, são oferecidos diversos serviços nas ruas da
feira. Médicos, dentistas, barbeiros e outros profissionais atendem ali
mesmo à população, que forma enormes filas no estreito espaço das
vielas.
Jaisalmer também tem seu festival de música e danças
folclóricas. As tribos apresentam coreografias e instrumentos típicos
nas próprias dunas, que funcionam como anfiteatros naturais. A festa
ocorre durante os três dias de lua cheia de janeiro.
Sem dúvida, a maior razão pela qual os turistas são
atraídos por Jailsalmer é a possibilidade de fazer um safári de camelo
no Deserto de Thar. Há uma série de lugares para visitar nos arredores
da cidade e, de fato, a maneira mais interessante de explorar o deserto é
viajando no lombo de um camelo. Percorrendo os terrenos áridos, as
caravanas passam por templos em ruínas, dunas de areia e vilas isoladas.
O povo do Rajastão, sempre muito colorido, desfila com seus turbantes e
saris no meio do deserto, onde a aurora e o crepúsculo são espetáculos
indescritíveis presenciados diariamente pelos que participam da aventura.
Nos safáris, as caravanas saem para o deserto em
programas de um a quatro dias, dependendo da disposição do freguês.
"Três dias é o mínimo para se conhecer algo por aqui", diz o
guia local Rammu, que havia levado um casal de japoneses em uma viagem de
11 dias até Pushkar.
Os camelos viajam durante as horas menos quentes da
manhã e da tarde, e o turista deve ir preparado para sentir calor de dia
e frio à noite. No camelo, ele leva somente a câmera e um estoque de
água mineral. Os pernoites são feitos ao relento, em acampamentos com
fogueira e os camelos em volta. Os guias indianos levam comida e preparam
as refeições para todos. Legumes cozidos, arroz, pão, banana e muita
batata integram o cardápio vegetariano mais oferecido nessas viagens.
Chá, mingau e chapati, o achatado pãozinho indiano, são comidos à
noite e no café da manhã.
Durante o dia, os camelos seguem em fila em um ritmo
lento e gingado. À noite e nas horas de descanso, eles emitem sons
desafinados em um manifesto coletivo, como se conversassem. O convívio
com esses simpáticos animais é o que mais deixa saudades nos visitantes
que passam por esta experiência.
Quase todos os hotéis oferecem programas de safári,
mas a maioria deles somente faz a intermediação entre o turista e o
camel man. Para encontrar camelos e guias em Jaisalmer, simplesmente dê
um passeio no mercado da cidade. Procure comprar e acertar os detalhes do
programa com o dono dos camelos.
Conhecer o guia e os animais antes de pagar o passeio
é uma atitude de precaução fundamental. Camelos velhos e doentes,
comida suja e guias inexperientes são algumas das surpresas dos pacotes
comprados às cegas. Shrestra, apelidado de mr. Desert, é um dos guias
mais antigos e respeitados da praça. Seu visual exótico e o aspecto
sereno o tornaram modelo de foto-propaganda de cigarro indiano. Sua
agência de serviços, a Sahara Travels, fica próximo da entrada
principal do forte, em um quiosque do lado direito.
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