|
Bali Indonésia
Como você imagina o paraíso? Se é um lugar onde tem
sol e calor o ano todo, praias maravilhosas e pessoas felizes, então é
possível conhecê-lo. Está certo que o paraíso não é perto. São
quase 30 horas de vôo, fora as escalas. Mas quando chegar ao aeroporto de
Bali suas energias serão renovadas no mesmo instante. Prepare-se para
conhecer as delícias do local.
Banhada pelo Oceano Índico, Bali é uma das 13.667
ilhas da Indonésia, com certeza a mais bela e exótica de todas, com
apenas 5.620 quilômetros quadrados (menor do que o Distrito Federal). As
diferenças entre ela e as demais começam pela religião. Os balineses
são hinduístas e todos os dias pela manhã as mulheres preparam com
capricho suas oferendas em pequenos cestos de folhas de palmeiras, onde
colocam flores, frutas, arroz e incenso. Enquanto isso, as outras 13.666
ilhas da Indonésia são muçulmanas e as mulheres andam com corpos e
rostos cobertos, contrastando com o colorido e exuberância das roupas
balinesas.
Em Bali, o hinduísmo está presente em tudo. As
oferendas são colocadas estrategicamente nas calçadas, em frente a todas
as lojas e casas. Se você não estiver atento, poderá pisar em várias
delas. Mas, se isso ocorrer, não se preocupe, pois ninguém ficará
bravo. O cheiro de incenso toma conta da ilha - calcula-se que existam
cerca de 22 mil templos. Por todos os lados, em todas as ruas, sempre
existe um.
Os templos mais famosos são o de Tanah Lot, no meio do
oceano (o melhor horário para conhecê-lo é no final da tarde, quando o
pôr-do-sol deixa o céu alaranjado); o de Uluwatu, conhecido como
"templo dos macacos"; o de Besakih, considerado um dos mais
importantes, e o de Ulun Danu, que fica no lago Bratan.
Macacos são considerados animais sagrados para os
balineses, mas tome cuidado com os dóceis animais, pois a qualquer
momento eles podem roubar seus óculos ou boné. Por isso, é necessário
deixar os acessórios do lado de fora do templo. Para poder entrar nos
locais sagrados de Bali, homens e mulheres precisam vestir saia. Caso não
esteja com a roupa adequada, não há problemas. Os balineses se
encarregam em colocar em você um belo sarongue (canga) roxo com uma faixa
laranja na cintura.
Bali parece ser toda decorada especialmente para
agradar turistas. O motivo, no entanto, não é este, mas sim reverenciar
os muitos deuses hindus. Além dos templos, toda vez que você chegar a um
vilarejo encontrará uma escultura com as paredes laterais imitando palmas
das mãos estendidas em sinal de benção. As esculturas são de animais,
dragões, pessoas, entre outras. Na maioria das vezes, as estátuas estão
vestidas com uma saia quadriculada em branco-e-preto, para equilibrar as
forças positivas e negativas. Até as árvores recebem esses trajes.
Sem sombra de dúvida, Bali deveria ser conhecida por
todos nós - certamente, cada um iria encantar-se com um mistério
diferente. Praias, vulcões, calor humano, oferendas, compras. Não
importa o motivo. O que importa é que Bali, em todas as suas versões
realmente enfeitiça.
Bali poderia receber dos turistas o apelido de
"Ilha da Alegria" por vários motivos. O primeiro deles é a
hospitalidade, simpatia e felicidade que os habitantes locais transmitem e
recebem dos estrangeiros, mesmo com toda a pobreza em que vivem. O
salário mínimo em Bali é de US$ 30 por mês (quase um terço do que no
Brasil), e em muitos lugares não existe água encanada, muito menos
esgoto.
Outro ponto é a generosidade da natureza, que parece
ter esculpido todas as praias, uma a uma. Todas, exceto Kuta Beach, têm
fundo de coral, e a grande maioria só tem areia quando a maré está
baixa. Vale a pena passar pelo menos um dia em cada uma das praias,
principalmente na de Uluwatu, contemplado a natureza e se divertindo com
as balinesas que estão sempre querendo lhe vender alguma coisa.
Good massage - Esta é outra delícia de Bali. Depois
de ficar o dia todo na praia, tomando sol, talvez você fique um pouco
cansado e precise receber uma massagem. Sempre haverá balinesas para
atender aos seus anseios. Primeiro ela fará uma
"demonstração" de, pelo menos, dez minutos. Caso aceite a
"good massage", como elas falam o tempo todo, é só deitar-se e
relaxar. Por, no mínimo, 30 minutos, seu corpo todo será massageado. Na
hora de pagar, um grande susto: um dólar.
As compras fazem a alegria de todas as mulheres e,
pasmem, dos homens também. É claro que eles não têm paciência de
andar por toda a Legian - rua principal da praia de Kuta, onde se
concentram centenas de lojas que comercializam todos os produtos
imagináveis, desde os famosos sarongues (cangas) até artigos
decorativos. A felicidade do sexo masculino está nos preços: verdadeiras
bagatelas ficam ainda mais baratas depois de uma boa pechinchada que, em
Bali, não pode faltar.
Por outro lado, as compras podem ser um problema em
Bali. Todo mundo quer sempre lhe vender algo: camisetas, bermudas,
vestidos, canetas, sarongues, artesanato etc., em qualquer lugar que você
esteja, seja na praia, dentro do carro ou na porta de um templo. Mas, aos
poucos, você se acostuma com mais este "hábito" balinês.
No lugar certo - Entretanto, por mais baratos que sejam
os produtos na Legian, nunca compre antes de ir aos locais específicos
para cada tipo de compra. Artesanato em madeira, com preços
inacreditáveis (com US$ 10 você compra quatro peças grandes, todas
feitas à mão) pode ser encontrado em Ubud, a uma hora e meia de Kuta.
Os artigos de prata, apesar de custarem caro no Brasil,
em Bali têm preços acessíveis. O local certo é Celuk. A compra é
direto da fábrica, o que oferece ainda a oportunidade de conferir a
habilidade dos ourives, que confeccionam peça por peça.
Existem muitas excursões (para duas ou mais pessoas)
que, em um mesmo dia, percorrem estas cidades, o templo de Tanah Lot e o
vulcão Kintamani. Mas o melhor é alugar um carro e ir sem pressa parando
em cada uma das lojas. Para quem prefere hotéis maravilhosos, que
ofereçam todo o conforto e estrutura encontrados no Caribe, Bali também
possui essa vantagem nas praias de Nusa Dua e Sanur.
Conheça o interior da ilha para saber como realmente
vivem os balineses. Existe uma infinidade de plantações de arroz, que
são cultivadas em platôs, para aproveitar as condições acidentadas do
solo. Isso torna Bali ainda mais bonita e verde.
Pode parecer incrível, mas em Bali é possível até
comer ovos cozidos no solo. Entre subidas e descidas, é uma aventura e
tanto chegar ao topo do vulcão Kintamani: mais de quatro horas de
caminhada. Embora considerado inativo, entrou em erupção no ano passado.
Ninguém ficou ferido.
No local, existe uma associação de guias que
acompanham os aventureiros. De longe, é possível ver a fumaça que
"brota" do chão. Como recompensa, ao chegar ao cume, é feito
um buraco no solo, com a ajuda de um pedaço de pau, onde são colocados
os ovos levados pelo guia. Depois de vinte minutos enterrados, já estão
prontos para serem devorados em um delicioso lanche acompanhado por chá -
a água também é fervida com o vapor do solo. Esta aventura pode ser
feita a qualquer hora do dia, mas a melhor é antes do amanhecer, para que
os turistas vejam dos mais de dois mil metros de altitude do Kintamani as
primeiras luzes do sol.
Como tudo em Bali tem seu lado religioso, a
associação criada para os passeios ao vulcão também existe devido às
crenças. Até 1995, qualquer pessoa podia caminhar sozinha pelas
entranhas deste "gigante". No entanto, quando algum problema
ocorria (como a morte de um visitante perdido), para que os deuses não
provocassem nenhuma desgraça, muitos animais precisavam ser sacrificados,
o que trazia prejuízo. Os guias resolveram então unir-se e formar a
associação. Desta forma, todos ganham o mesmo salário e só acompanham
turistas nesta longa caminhada três vezes por semana.
Bali é freqüentada por turistas do mundo todo, mas
principalmente por italianos. O mais impressionante é que ninguém vai
apenas uma vez à ilha. Depois de alguns anos (ou no ano seguinte, quando
possível) todos voltam. Principalmente os surfistas.
A Indonésia é considerado um dos melhores para
surfar. Em Bali, não é diferente. Todos os dias, as ondas são perfeitas
(já que o fundo do mar é estável por ser de coral) e diariamente o
vento contribui para a formação das ondas. Além disso, existem diversas
praias com opções de ondas maiores ou menores, e todas com tubos (uma
das manobras preferidas dos surfistas).
Para esses esportistas radicais, Uluwatu é uma das
preferidas. Também é a mais perigosa, já que as melhores ondas ocorrem
quando a maré está baixa e, por este motivo, os corais ficam mais
próximos. Os surfistas precisam sempre usar as botinhas de borracha para
proteger os pés, além de capacete e roupa de neoprene para evitar
ferimentos.
Já é de praxe: surfista que vai a Bali e não se
machuca nos corais não é surfista. Como estamos falando do paraíso, os
cortes que podem infeccionar não são problema, pelo menos, não nesta
ilha. Existe um remédio de fabricação local, encontrado em qualquer
esquina, que acaba com o problema no mesmo dia. O segredo é um pouco
dolorido, mas bastante válido. Primeiro é necessário lavar o arranhão
com sabão. Em seguida, com uma escova de dentes, esfregar álcool e só
então aplicar o "santo remédio" de cor vermelho-escuro para
ser formada uma proteção que contribuiu para a cicatrização.
Também famosa, na praia de Padang Padag, surfar só é
possível quando em Uluwatu as ondas estão acima de oito pés (quase
três metros de altura). Balangan é outra bela praia para os turistas.
Opções é o que não faltam. Bingin, Impossible's,
Kuta Beach, Kuta Reef e tantas outras, comprovam que Bali é também o
paraíso para esses esportistas. A maioria das praias tem acesso difícil
e não tem areia para os banhistas se espicharem ao sol. Mas é
imprescindível a visita em cada uma delas. Para Uluwatu, há uma longa
caminhada com descida acentuada, mas a beleza é compensadora. Procure
conhecê-la quando a maré estiver vazia, pois, ao atravessar por baixo de
uma imensa pedra, você chega à praia (pequena, mas aconchegante) e pode
se banhar em uma das calmas piscinas naturais, além de brincar com a
infinidade de peixes coloridos que enfeitam as águas.
Com tantos trajes coloridos, parece que, para os
balineses, todo dia tem festa. A mais importante delas é a Galugan, o ano
novo, que acontece a cada 210 dias.
Em Bali, todo mundo tem o mesmo nome. Seja homem ou
mulher, o primeiro filho sempre será Wayan, o segundo, Made, o terceiro,
Nyoman, e o quarto, Ketur. Caso haja o quinto, a lista se repete. Por
isso, é comum todos terem apelidos ou serem conhecidos pelo sobrenome.
Mesmo proibida por lei, a briga de galos é sucesso
entre os nativos, pois é aceita pelo hinduísmo. É comum encontrar nas
portas das lojas cestos especiais abrigando os vistosos animais. As brigas
ocorrem em qualquer lugar. Para identificá-las, é simples: basta um
aglomerado de pessoas. É só parar e acompanhar de perto a troca de
apostas e a briga que, muitas vezes, dura apenas alguns segundos.
|