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Fátima Portugal
Diz-se que muitos caminhos levam à fé. Se a máxima
for aplicada a Portugal, alguém pode até se perder. O país está
repleto de destinos com atrativos religiosos, alcançados com viagens
invariavelmente curtas. Ao longo de vários séculos, o catolicismo deixou
sua marca em mosteiros, igrejas e santuários e permanece vivo entre boa
parte da população. Basta notar que as celebrações de Fátima
atraíram aproximadamente 5 milhões de visitantes apenas no ano passado.
A região onde os pastorinhos Francisco, Jacinta e
Lúcia avistaram Nossa Senhora em 1917 surge, de longe, como o principal
atrativo do roteiro de fé lusitano. Como toda a cidade vive em função
das peregrinações, a maioria dos fiéis chega disposta a fazer uma
promessa ou a agradecer por uma graça alcançada, muitas vezes caminhando
de joelhos por mais de 350 metros.
Existem ainda os que simplesmente querem conhecer
melhor o lugar para, desse modo, se sentirem um pouco mais próximos de
Deus. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima - construído na Cova da
Iria, no ponto onde teriam ocorrido cinco das seis aparições - divide a
atenção com outros locais igualmente interessantes no município.
Pode-se conhecer a igreja onde os três pastores foram batizados e ver
toda a história em um museu de cera. Ali perto, em Aljustrel, as casas de
Lúcia e dos irmãos Francisco e Jacinta mantêm o mesmo aspecto desde a
época das aparições. Em Valinhos, um monumento lembra a única visita
de Nossa Senhora que teria ocorrido fora da Cova da Iria.
Enquanto a história de Fátima remonta ao início do
século 20, bem próximas da cidade estão duas das facetas mais antigas
da religiosidade portuguesa, na região de Leiria. O Mosteiro da Batalha,
erguido entre 1388 e 1580, agrupa influências arquitetônicas que vão do
gótico ao manuelino. Já no Mosteiro de Alcobaça, construído entre 1178
e 1254, a austeridade da Ordem dos Monges de Cister deixou marcas na
simplicidade tanto da estrutura como da decoração.
Antes de Fátima tornar-se conhecida, a maior parte dos
peregrinos costumava ir ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Muitos
fiéis continuam a visitar o local, construído ao lado do precipício
onde d. Fuas Roupinho, responsável pelo Castelo de Porto de Mós, recebeu
uma graça em 1182. Ele cavalgava em perseguição a um veado quando o
animal caiu no abismo. Temendo que despencasse junto, pediu à Virgem que
fizesse seu cavalo parar. Em agradecimento, Roupinho ergueu uma pequena
capela na beira do despenhadeiro. Em 1377, a Ermida da Memória passou a
dividir espaço com o santuário.
Se os milagres dão destaque a algumas cidades
portuguesas, em Braga a religiosidade está expressa no grande número de
igrejas. Existem mais de 50, dos mais variados estilos. Características
da arquitetura românica mostram-se, por exemplo, na Sé Catedral de
Braga, ao mesmo tempo em que o barroco predomina na fachada da Igreja de
Santa Maria Madalena. Dezenas de outras construções históricas tornam o
município peculiar. Mais ainda porque há um contraste entre a
antigüidade dos monumentos e a juventude da população, da qual fazem
parte mais de 30 mil estudantes universitários.
No Porto, a devoção costuma centrar-se em um aspecto
bem mais pagão. O vinho não perde o primeiro lugar dentre os principais
atrativos, mas nem por isso deixa de ter boas companhias. Entrar na
Igreja-Monumento de São Francisco, no centro histórico, pode ter o mesmo
efeito embriagador de uma boa taça. A quantidade de peças de madeira
decoradas com ouro impressiona. O prazer de uma caminhada pelas vielas
estreitas da Ribeira também não fica atrás. É preciso orar para querer
encontrar a saída de um labirinto cheio de casas antiqüíssimas. Não
faltam turistas perdidos.
O pecado de se cruzar a fronteira da terra de nossos
antigos colonizadores não requer penitência se o destino for Santiago de
Compostela, na Espanha. A cidade, que fica bem perto do norte de Portugal,
há séculos serve como ponto de chegada dos peregrinos que percorrem o
famoso Caminho de Santiago. Quem não se aventurou pela trilha certamente
ficará cansado ao percorrer as salas da Catedral, onde estão as
relíquias de São Tiago, e do Hostal dos Reis Católicos, antiga
hospedaria dos viajantes que hoje funciona como hotel.
Dos domínios lusitanos ao lado hispânico da
península, a aventura de fé não poupa surpresas. Pode, inclusive,
despertar um dos pecados capitais naqueles que ainda não conhecem nenhum
desses lugares. Para se purificar da inveja, resta arrumar as malas e
cruzar o Atlântico
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